quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Beleza

Acabei de passar bem rápido sobre uma notícia de "miss universo". Aí olho a foto e ela me parece bem comum. Primeiro pensei que não entendo. Pra mim, parece óbvio que a pessoa mais bonita 'do universo' deveria ter uma beleza fora do comum, e não se encaixar em um padrão e se parecer com todas as anteriores, como se tivesse uma mensagem "beleza é previsível e pertence à indústria". Não sei, talvez alguém tão belo que realmente chegasse a ser incomum, ou que tivesse algum tipo de beleza único. Mas aí me veio à mente de ser esse o ponto desses concursos, mesmo sem nem saberem disso. De o belo ser simples. De a mulher tida como "mais bonita do mundo" seja a que está na sua frente, ou do seu lado na fila do banco. Ou melhor, de ela ser mais bonita do que a mais bonita do mundo. De que pessoas comuns podem ser as mais lindas. De que coisas comuns podem ser as mais lindas. Então, sim, a menina que você vê na loja de sorvete pode ter o sorriso mais lindo do mundo. A criança no meio do calçadão de uma tarde vazia, também pode ser a mais linda. A cantoria de um vendedor feliz pode ser a melhor que já existiu, ou pelo menos causar as risadas mais lindas que já existiram. Aquele bolinho de chuva pode ser a melhor coisa pra se comer naquela tarde, que ainda era meio arco-íris e meio chuva. O sorvete pode ser a melhor companhia para aquela noite doce. O edredom, a cama desarrumada, e a pessoa por quem se é apaixonado, podem ser as melhores coisas para um dia chuvoso. A beleza é tão simples, e ao mesmo tempo não é totalmente decifrável... (ainda bem)

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